Reportagem: a descoberta de dois índios piripkura isolados na Amazónia

 O Último Par

Eles são baixinhos e ficaram conhecidos como "índios do pau grande" graças a uma prática que deixa no chinelo aquelas dos anúncios "enlarge your penis". 
Com a descoberta de dois índios piripkura isolados na Amazónia, é possível contar a história de como a tribo foi dizimada numa das regiões mais violentas do país.

Novembro de 2007
por FelipeMilanez
fotos: Araquém Alcântara

No hospital onde convalesce, é chamado de “o brabo”. Tem a mão áspera como uma lixa e falta a ponta do dedo médio da direita, comida por um porco queixada numa caçada. É muito baixo em estatura, o pé parece uma tora, e o olhar, melancólico e distante. Não sabe que mundo é esse para o qual foi trazido: é diferente e não tem gostado. Logo que chegou abriram sua barriga para operá-lo de pedras na vesícula, e hoje carrega um talho de 23 pontos que nenhuma flecha faria. Depois, ficou cheio de bolhas como nunca havia se visto. Imaginou ser feitiço e não entendeu a palavra “catapora”. Assim que melhorou, bateu uma dor de cabeça incrível. O corpo todo doeu como se tivesse caído de uma árvore. Teve vômito, diarréia, sono, cansaço. Também não entendeu a palavra “malária”. Esses meses que Tucan passa na cidade de Jiparaná, em Rondônia, têm sido difíceis e angustiantes. Solitário, não sabe se seu companheiro Mande-I está vivo na floresta, e a única pessoa com quem conversa é o intérprete Mauro de Oliveira. Tucan e Mande-I são remanescentes dos índios piripkura. Salvos do extermínio na região mais violenta do Brasil em agosto deste ano, quando estabeleceram o primeiro contato pacífico com a Funai (Fundação Nacional do Índio). BORBOLETA
O tal do “brabo”, na verdade, é um “borboleta”. “Brabo, nesses cantos do país, é como são chamados os índios que vivem isolados na floresta, sem se relacionar com os colonizadores. E borboleta é a tradução da palavra “piripkura”, apelido dado a esse povo pelos índios da etnia gavião – inimigos tradicionais que vivem em um território vizinho. Pode significar também um bichinho frágil que muda de lugar toda hora. Se esconde, some. E assim, mudando de lugar como nômades, sumindo, se escondendo, mas nem tão frágeis como possa parecer, esses dois piripkuras sobreviveram ao longo de anos como verdadeiros heróis em meio ao holocausto amazônico. O resto de seu povo ou ainda se esconde como borboleta na floresta, como torce a Funai, ou foi massacrado.

O contato aconteceu na primeira semana de agosto, em expedição comandada pelo auxiliar de sertanista Jair Candor. Ele liderava um pequeno exército de brancaleone de cinco pessoas. Tinham de fazer frente aos madeireiros espalhados pela mata, muito mais bem equipados. Na sua trupe estava a índia Rita – cuja vida é um mistério. Ela é outra sobrevivente desse povo que, por acaso, foi parar numa fazenda no início dos anos 80. Perdeu contato com sua tribo e virou escrava sexual dos peões. Depois de uma denúncia, foi resgatada pela Funai e largada para viver e casar entre os índios karipuna. Nunca mais viu ninguém de seu povo.

Jair e companhia encontraram os índios na beira de um igarapé, depois de meses no mato. É um pequeno afluente do rio Roosevelt, na tríplice fronteira de Mato Grosso, Rondônia e Amazonas. Terra sem lei, dentro do município de Colniza: cidade mais violenta do Brasil. Disparado, a “número um”, com uma taxa de 165 assassinatos por 100 mil habitantes – no Rio de Janeiro o índice é 56/100 mil. Madeireiros organizados em máfia, garimpeiros, seringueiros, pistoleiros (conhecidos como “guaxebas”): são as pessoas das quais Tucan e Made-I fugiram a vida toda, e as que escravizaram Rita e dizimaram seu povo. Homem branco, para Tucan, é bicho sanguinário. Quando o conheci, ele quase não saía do quarto. Ficava estirado na rede. Entediado, num desses dias disparou-se a falar.

E contou uma história mais ou menos assim, traduzida por Mauro.
“Estavam fugindo. Decidiram atravessar um rio largo [deve ser o Roosevelt], numa canoa talhada em árvore. Quando um grupo chegou do outro lado, foram surpreendidos por brancos. Muitos morreram à bala. Esses brancos pegaram a canoa e fizeram o trajeto inverso pelo rio. Tucan e seu grupo fugiram. Os brancos seguiram seus rastros e, um tempo depois, chegaram até a aldeia. Nessa hora, ele diz que estava em cima de uma árvore colhendo mel. Desceu rápido e ficou olhando de longe, escondido. Os brancos cercaram os parentes. Amarraram as mãos deles e cortaram as cabeças, uma a uma. Juntaram elas e os corpos e atearam fogo.

Ele saiu correndo. Depois reencontrou Mande-I e mais alguns outros no mato.” Depois dos ataques que sofriam, confidenciou Rita, as mulheres mais velhas da aldeia voltavam para o local e recolhiam
as carnes de seus parentes mortos, para ser comidos em rituais de canibalismo típicos dos povos tupi. E proteger os espíritos de seu povo da crueldade dos invasores.

ÍNDIOS ISOLADOS

A realidade dos índios isolados é pesada. Ainda restam 71 grupos nessa situação. Uma diversidade que só o Brasil tem – mesmo que não consiga proteger. Até hoje, são caçados como bichos na floresta. E a saga piripkura é o mais novo drama dessa história no Brasil. O desconcertante é que esses dois são pacíficos. Alegres. Tucan deve ter menos de 1, 40 m. Um fato que chamou a atenção das enfermeiras é uma prática tradicional de sua tribo: o alongamento peniano. Ritualmente, desde pequenos, usam formigas e ervas para fazer o pênis crescer. Entreouvido nos corredores, ganhou o apelido de “a tribo do pau grande”.

Desde que descobriu que esses índios existiam, nos anos 80, a Funai não se prontificou a demarcar uma terra para eles, mesmo sem tê-los contatado. Por isso continuaram a ser caçados. Foi preciso contatar Tucan; mesmo que isso tenha significado, na estada na cidade, o contágio de catapora e malária. Agora a história vai ser outra, promete Elias Bigio, atual coordenador geral de Índios Isolados da Funai: “Vamos dar seqüência ao processo de demarcação. Eles não vão ser esquecidos como foram ao longo de todos esses anos”, afirma, categoricamente. Não muito longe de onde vivem Tucan e Mande-I, é dada como certa a existência de outros índios. Podem ser os parentes que atravessaram o rio fugindo do massacre. Está nos planos para os próximos meses, disse Bigio, confirmar a presença deles e proteger as terras. Com a carnificina de Colniza chegando cada vez mais perto, é bom não demorar.






O alongamento peniano é uma tradição entre os índios da família lingüística tupi-kawahib. Originalmente, servia para eliminar eventuais divergências quanto a identificação visual dos indivíduos na floresta. Os kayapó fazem crescer os lábios inferiores, os erikbatsa aumentam o lóbulo das orelhas. São os “beiços-de-pau” e os “orelhas-de-pau” – apelidos que receberam de outros índios e dos brancos. Entre os piripkura, a identificação visual é o pênis avantajado sob um grande protetor feito de palha. Daí as piadas elogiosas de “tribo do pau grande” ou “caralhudos”.

São abundantes e detalhistas os laudos etnográficos, microfilmes e Relatórios do Serviço de Proteção ao Índio (SPI) e da Funai, desde o início do século, nos trabalhos dos etnólogos Curt Nimuendaju e Claude Lévi-Strauss, os textos de Roquette-Pinto e do marechal Cândido Rondon, que registram e reiteram como hábito entre os diversos grupos étnicos da família tupi kawahib utilizar protetor peniano com arestas de tamanho avantajado, o que causava impacto nos primeiros contatos e comentários por serem considerados “bem-dotados”. Mas não é só o “protetor” que é avantajado.
Que vida do caralho
Não se sabe a fórmula que usam – um conhecimento tradicional protegido pela legislação internacional que, no futuro, poderá render bom dinheiro para esses índios. Mas o segredo pode estar na poderosa formiga “tocandira”, comum na Amazônia. Conta-se em Rondônia que, desde pequenos, os curumins passam por longos e exaustivos rituais de iniciação. Durante o processo, não se sabe com que freqüência ocorre, as formigas são usadas para “picar” o pênis a ser alongado. Esticam o órgão com as mãos e colocam formigas sobre ele. Quando irritada, a tocandira produz um ruído estridente e pica por um aguilhão abdominal ligado a uma glândula de veneno. Pode ser o veneno, de base protéica e que inclui hialuronidase e fosfolipase A, o segredo. Mas ainda não foi provado cientificamente. O que se sabe, pelos relatos orais, é que a picada é muito dolorosa, e faz dilatar os músculos genitais. Repetidas vezes, o órgão ganha tamanho e volume. As pessoas que me contaram, em Rondônia, essa fórmula, me aconselharam a não tentar isso em casa.

Há também uma mistura de ervas que é usadas para massagear o pênis – procedimento terapêutico utilizado no local da picada das formigas. As plantas podem servir como dilatadores do órgão ou apenas para fazer passar a dor. Enquanto esteve com a equipe da Funai no acampamento, logo após o contato, o índio Tucan não se distraiu de cuidar de sua identificação étnica. Segundo relato dos integrantes da Frente de Proteção Etno-Ambiental Madeirinha, “todo dia, à tardinha, ele pegava um pouco de água morna em uma cumbuca, colocava umas folhinhas lá e ficava massageando o pênis, esticando, balançando, tratando”, relata um dos integrantes da equipe. Mesmo se tornando famoso por causa da triste história de massacre do seu povo, Tucan parece não querer deixar de lado a vaidade peniana, marca registrada de seu povo.


Índios Isolados no Brasil

Eles existem como gente invisível, e vivem em fuga a vida na floresta. Se escondem nas sombras, e podem, por exemplo, passar anos em uma caverna praticamente sem sair dela – como aconteceu com uma família de índios ava-canoeiro, a 200 km de Brasília, nos anos 1980. Nas áreas mais remotas da selva amazônica vivem índios que, de forma heróica, se afastam do contato e do convívio com a população que se instalou no Brasil. São os índios isolados – também chamados, pelos antropólogos, de comunidades “autônomas”.

De acordo com Elias Bigio, coordenador Geral de Índios Isolados da Funai, há hoje 71 grupos indígenas vivendo nessa situação. Poucos anos atrás a Funai só tinha o conhecimento de cerca de 40 povos. A maioria desses índios sabe da existência do homem branco e até já tiveram encontros acidentais, mas preferem ficar escondidos. Podem ser aldeias com centenas de integrantes, ou, nos casos mais trágicos, um, dois, três indivíduos, uma família apenas que tenha conseguido sobreviver à carnificina em que se transformou, em fatos reais, a ocupação da Amazônia. Este é o caso dos dois piripkuras contatados em agosto, assim como dos kanoê e akunt’su, em Rondônia, os juma, no Amazonas, os ava-canoeiros, em Goiás e Tocantins, entre alguns outros.
Em 1995, depois de anos se metendo nos restos de matos de fazendas no sul de Rondônia, o sertanista Marcelo dos Santos conseguiu encontrar e estabelecer contato com uma família de índios kanoê. Eram nada mais do que cinco pessoas: uma mãe, um filho homem e uma filha mulher – já mãe de um pequeno menino–, e uma sobrinha. Poucos anos depois, sobraram só os dois irmãos, o rapaz Pura e a moça Tiramantú. Ela conseguiu engravidar outra vez, com algum homem que não diz quem é, e já teve mais um filho – o outro que tinha morreu de malária, junto de sua avó. A índia prima foi morta pelos vizinhos índios akunt’su. Quando tiveram confiança na equipe da Funai, os kanoê guiaram os sertanistas barbudos até encontrar outra tribo que vivia espremida entre os caminhos de madeireiros: sete índios Akunt’su. Até hoje, os dois homens akunt’su carregam pedaços de chumbo no corpo – a marca que ficou dos massacres que extinguiram o povo. Uma das índias dessa tribo morreu quando uma árvore caiu sobre a maloca, dois anos após o contato.
Até hoje, os dois homens akunt’su carregam pedaços de chumbo no corpo – a marca que ficou dos massacres que extinguiram o povo
Perto dessas duas tribos, também na região de Corumbiara, embaixo da fumaça das queimadas e no meio de imensos pastos e uma multidão de bois brancos, há uma bola de mato que é um verdadeiro portal para outras eras da humanidade. Em oito mil hectares de mata nativa, na Terra Indígena Tanaru, vive o povo de um homem só. Esse homem é chamado de “índio do buraco”, e ele não quer saber nada de entrar em contato com gente de outros povos – inclusive já flechou sertanistas da Funai quando se aproximaram dele. O “Índio do buraco” é o que lhe sobrou de um povo isolado que foi massacrado nos anos 1980 e 1990, assassinado e envenenado por arsênico misturado a brindes de açúcar e farinha ganho das mãos de fazendeiros. Último representante de uma tribo totalmente desconhecida, com hábitos e costumes próprios (como o buraco místico que faz dentro de sua oca), ele é, também, o retrato da desumana destruição da floresta.
Não é só no Brasil que existem índios isolados, apesar de provavelmente ser aqui que exista a maior quantidade de povos nessa condição no mundo inteiro. Criado por Sidney Possuelo, em 1989, o departamento, mesmo capenga em recursos, é uma referência mundial. Ao menos no que toca a ideologia de se tentar proteger essas tribos. No Paraguai, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guianas, Suriname, todas as fronteiras do bioma amazônico, ainda existem índios isolados. Ao contrario do que ocorre no Brasil, por lá eles vivem ser terras protegidas. Para tentar expandir essa política, a ONU criou o Comitê Indígena Internacional para a Proteção de Povos em Isolamento Voluntário e em Contato Inicial (Cipaci). Antes tarde, ao menos na lei começa-se a tentar proteger essas pessoas da floresta. 






Funai recorre à Procuradoria para proteger área de 2 índios isolados

Funcionários da Funai em Rondônia pediram ao Ministério Público Federal ajuda para obrigar o próprio órgão indigenista a proteger uma área de floresta no noroeste de Mato Grosso onde vivem os dois últimos membros de uma etnia isolada -os Piripkura. Os dois índios perambulam por propriedades nos municípios de Rondolândia e Colniza, e sua sobrevivência é ameaçada pela ação de madeireiros, segundo os indigenistas. A região era o principal foco de atuação do esquema de extração ilegal de madeira investigado em 2005 pela Operação Curupira. Os indigenistas têm pedido à Funai que baixe uma portaria de restrição de uso da área. Esse instrumento visa suspender as atividades de não-índios e é o primeiro passo legal para a realização dos estudos que podem levar à identificação e à demarcação da terra – FSP, 16/9, Brasil, p.A11.
A reportagem acima, publicada na Folha de São Paulo, apesar de não dizê-lo claramente, relata um caso de extermínio de uma população indígena. Assim como ocorreu ao longo de toda a história desse país – e haja visto, ainda ocorre! – a atividade extrativista na Amazônia sempre se deu às custas de muita violência contra os povos da floresta. São muitos os casos conhecidos em que indígenas aparecem em vilarejos ou pequenas cidades em número reduzido, fugindo de matadores de aluguel contratados por fazendeiros.

A reportagem conclui com o seguinte comentário de Inês Hargreaves, antropóloga que trabalha na região de MT e RO:
“a situação é idêntica à de três grupos isolados contatados em Rondônia em 1995: os canoês (quatro pessoas), os akun’tsuns (sete) e o chamado “índio do buraco”, provavelmente o último de grupo ainda desconhecido.”

Notícia publicada na Folha de São Paulo
Funcionários da Funai (Fundação Nacional do Índio) em Rondônia pediram ao Ministério Público Federal ajuda para obrigar o próprio órgão indigenista a proteger uma área de floresta no noroeste de Mato Grosso onde vivem os dois últimos membros de uma etnia isolada --os piripkuras.
Os dois índios perambulam por propriedades do fazendeiro Celso Penço e de outros nos municípios de Rondolândia e Colniza, e sua sobrevivência é ameaçada pela ação de madeireiros, segundo os indigenistas.
A região era o principal foco de atuação do esquema de extração ilegal de madeira investigado em 2005 pela Operação Curupira, da Polícia Federal.
Penço foi um dos denunciados, por supostamente corromper funcionários do Ibama e da então Fema (Fundação Estadual do Meio Ambiente, hoje transformada em secretaria estadual) para conseguir planos de manejo falsos. No total, estima-se que ele tenha desmatado ilegalmente cerca de 108 mil hectares de floresta.
Os indigenistas que trabalham na frente de proteção da Funai em Ji-Paraná (RO) têm pedido ao órgão que baixe uma portaria de restrição de uso da área. Esse instrumento visa suspender as atividades de não-índios e é o primeiro passo legal para a realização dos estudos que podem levar à identificação e à demarcação da terra.
O coordenador-geral de índios isolados da Funai, Elias Biggio, disse que já fez o pedido para a diretoria de assuntos fundiários do órgão federal, mas que ainda não há uma resposta. "Temos todos os elementos para conseguir [a restrição de uso]", afirmou.
Segundo o indigenista Leonardo Lênin dos Santos, que coordena a equipe da Funai na área, os madeireiros que atuam no local estão consertando estradas e preparando a próxima safra. A madeireira Bioflora, de Ji-Paraná, pertencente a João Garcia (indiciado na Curupira), tem uma serraria dentro da área onde vivem os piripkuras e "está já abrindo picadas para extração de madeira a poucos quilômetros dos isolados".
Os piripkuras foram contatados pela primeira vez pela Funai em 1984, mas preferiram seguir isolados. Eram de 15 a 20 índios. O último contato foi em 2007, quando sobravam dois, Tikun e Mondeí. Uma terceira piripkura, Rita, por ser parente próxima dos dois, casou-se com um homem de outra tribo, os caripunas, e vive entre eles.

"Moleques"
Celso Penço, minimizou a presença indígena. "Não tem índios não, são só dois moleques lá", afirmou. "Um indigenista disse que tinha que preservar a espécie. Mas índio não cria. Como vão reproduzir se são dois machos?" Ele negou as acusações do Ministério Público em relação à Operação Curupira e disse que "sempre" ajudou as missões da Funai.
Santos diz que, enquanto os dois estiverem vivos, é obrigação do Estado protegê-los. "A gente não descarta que haja outros índios [na região]." Segundo ele, há muitos vestígios de presença indígena de períodos próximos. Só o trabalho de identificação poderá descartar a presença de mais piripkuras.
A antropóloga Inês Hargreaves, que trabalha no local, diz que a situação é idêntica à de três grupos isolados contatados em Rondônia em 1995: os canoês (quatro pessoas), os akun'tsuns (sete) e o chamado "índio do buraco", provavelmente o último de grupo ainda desconhecido. Hoje as terras dos canoês e dos akun'tsuns estão homologadas e a do "índio do buraco" tem uso restrito.

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